domingo, 16 de março de 2008

O infinito - Prólogo

Como dito antes, cansei de falar de política. Pra falar a verdade nem é o meu tema preferido, apesar de ser divertido se arriscar por outras áreas de vez em quando. Há somente um punhado de assuntos que me dao tanto prazer de falar quanto ciencia. Portanto, esse será o primeiro de uma série de posts sobre temas científicos.

Já estava mais do que na hora de prestar uma justa homenagem ao conceito que emprestou seu nome ao meu blog. Apesar de ser um conceito na maioria das vezes intuitivo e universal, geralmente nao se tem uma idéia clara do seu papel na natureza.

O infinito está simplesmente impregnado no universo, apesar de parecer uma idéia deveras abstrata. Sendo isso verdade, precisa-se de linguagens adequadas para descreve-lo e estudar suas propriedades. Para descreve-lo só vejo duas linguagens: a matemática e a poesia. Já para explorá-lo adequadamente, que me desculpem os poetas, mas só há a matemática. Sem o uso adequado do infinito muitos utilitários do mundo moderno seriam sequer possíveis. Se estiverem curiosos pra saber o porque esperem os próximos posts, por enquanto vamos tentar motivar mais o assunto.

Falando em curiosidade: dados dois conjuntos infinitos A e B, seria possível o conjunto A conter mais elementos que o conjunto B ou vice-versa?! Parece razoável dizer que nao já que os dois tem um número infinito de elementos certo?! Errado, um matemático alemao nascido no século retrasado chamado Cantor, por sinal criador da teoria dos conjuntos, provou que o conjunto dos números reais tem mais elementos que o conjunto dos números naturais, apesar dos dois conjuntos terem infinitos elementos! Nao é maravilhoso quando o nao-intuitivo se prova verdadeiro?!

Pode parecer que nao, mas há incontáveis situacoes onde o infinito acontece e nao há como evitar. Felizmente existem ferramentas matemáticas que permitem lidar com tais situacoes. Eu vou contar, na minha própria versao, uma historinha antiga geralmente contada nas primeiras aulas de cálculo pra motivar a nocao de limites, uma dessas ferramentas.

Um rapaz e uma moca cruzam olhares e nesse momento é despertado um desejo mútuo de se conhecerem. Os dois entretanto sao muito tímidos e hesitam em ir um na direcao do outro. Nao obstante, o corajoso rapaz decide arriscar um passo de cada vez na direcao da garota, de forma que a cada novo passo a distancia entre eles é diminuída em 10%. Nesse sentido, a pergunta seria quantos passos ele precisa dar até chegar na garota.

Infelizmente o rapaz nunca vai chegar, pois ele está fadado a dar infinitos passos, apesar de eventualmente se encontrar em algum momento infinitamente próximo a ela. Se quiser comprovar execute o algoritmo abaixo e verá que o programa vai rodar pra sempre, pois a distancia nunca vai ser igual a 0.

dist := 10 // Pra exemplificar eu assumo que eles estao separados inicialmente por 10 (nao importa a unidade de medida), mas contanto que seja positivo pode-se escolher qualquer número.

enquanto (dist diferente 0) //Enquanto a distancia é diferente de 0 ele continuar a dar passos
do
dist := dist-dist/10; // cada passo diminui a distancia atual em 10%
end

Nao fiquem tao tristes pelo rapaz, na prática isso nao seria tao ruim, pois dependendo da distancia inicial, depois de algumas dezenas de passos a distancia seria tao pequena que ele já teria condicoes de iniciar uma conversa e eventualmente saber se deveria continuar a caminhada ou nao ;)

Portanto meus caros poucos leitores, esperem encontrar nos próximos posts um pouquinho mais sobre este que é um dos componentes fundamentais do modelo de universo que conhecemos.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Uma solucao para o Brasil pt.2

Já que eu comecei vou terminar, apesar de tá com dor de cabeca. Vou até comecar mais cedo por causa dos blockbusters que passam na tv às 20:15, as melhores coisas dos domingos massantes daqui diga-se de passagem. Mas no próximo post quero falar de algo mais interessante, quero falar sobre o infinito sob um posto de vista científico. Já até me alegro a respeito pois o tema me fascina.

Como disse o Josias de Souza em um de seus posts recentes, a democracia do Brasil ainda está na infancia. Nao é difícil de checar a validade da afirmacao. O conceito de democracia pressupoe liberdade e igualdade e portanto implica no princípio de que todos sao iguais perante a lei. Mas na prática as leis brasileiras sao extremamente flexívies quando expostas ao dinheiro, influencia e conveniencia dos poderosos. Em outras palavras, só os pobres e honestos sao iguais perante a lei. Eu nao acho que preciso dar exemplos, mas se mesmo assim alguem insistir, basta ver o iminente escandalo dos cartoes corporativos. Há um site da CGU chamado portal da transparencia, um conceito extremamente democrático temos que admitir, mas assim que as investigacoes ameacaram expor os gastos do presidente e de sua família foi ordenado que as informacoes saíssem do ar por motivos de seguranca. Alguém cheira contradicao no ar?

Pois assim é permeada a nossa democracia, cheia de contradicoes. Outro exemplo é o voto obrigatório. Para o voto ser realmente democrático o direito de escolha tb deveria incluir a opcao de nao sair de casa. Porque é obrigatório entao? Conveniencia claro, pense bem, se o voto nao fosse obrigatório só votaria quem tem consciencia política ou interesses políticos. E portanto, a massa que é quem elege e quem geralmente nao tem consciencia ou interesses políticos, seria mais difícil de ser comprada ou manipulada.

Bom, o ponto que quero chegar é que o Josias tem razao e vislumbro como isso poderia ser usado para o bem. Para quem assistiu o filme tropa de elite, é mais ou menos o que o personagem Neto fez, ou seja, usar o "sistema" contra o "sistema". Usemos entao a infancia de nossa democracia pra disciplinar os políticos rumo ao pensamento coletivo.

Digamos que voce possui um hospital, mas quando voce está doente voce vai para outro hospital pois sabe que o seu tem condicoes precárias. Imagine que vc também possui uma escola, mas o seu filho nao estuda lá pois a qualidade de ensino e infra-estrutura oferecida é péssima. Além disso, voce tem uma empresa de seguranca, mas voce próprio contrata servicos de outra empresa pois a sua nao é eficiente. Meu amigo, voce é o cúmulo da incopetencia. É o que todos diriam ou nao? Esses sao os nossos políticos, apesar de serem os responsáveis pela saúde, educacao e seguranca, eles ou suas famílias usam servicos privados. Pq?! Porque os servicos que eles oferecem nao prestam. E ao fazer isso eles pregam um atestado de incopetencia na testa.

Juntando as pecas

Que se crie algo como "Príncipio de ética política", onde para ser admistrador público em qualquer nível, vereador, deputado e etc., é obrigatório o uso exclusivo dos servicos públicos pertencentes a sua instancia pelo político e seus familiares pelo período do mandato. Já ouco ecoando a contra-argumentacao: "mas isso fere a democracia, pois todos tem o direito da escolha". De fato, mas a nossa democracia mostra ter espaco para tais coisas, e entao usemos isso. E acreditem-me, a longo prazo isso faria a própria democracia amadurecer já que os políticos estariam verdadeiramente mais próximos dos seus "chefes", ou seja, o povo.

Última peca

Como argumentamos no início, os nossos políticos sao movidos por interesses pessoais. Se os seus familiares estudassem em escolas públicas, haveria um interesse direto para a melhoria da escola, beneficiando indiretamente as condicoes de ensino para os outros estudantes. Se os prefeitos e vereadores tivessem que usar o socorrao, nao haveria mais falta de materiais para operacoes de emergencia ou medicamentos básicos. A mesma coisa para qualquer servico público. Alguem poderia dizer que mesmo assim eles se valeriam de sua influencia para obter tratamento diferenciado, mas a diferenca é que isso seria feito diretamente sob os olhos do povo e portanto mais fácil de ser fiscalizado. Além disso, o fato de saber que pra entrar na política tem que cumprir esse princípio de ética, já filtraria de início um monte de candidatos mal intencionados deixando só os que realmente tem algum respeito pelo coletivo.

Claro que é muito improvável que isso venha a ser implementado algum dia, e claro que a idéia tem que ser melhor trabalhada pois ainda tem várias lacunas, mas as contra-argumentacoes pertencem ao leitor.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Uma solucao para o Brasil pt.1

Antes que alguem fale:

1 - "Lá vem o chato falar de novo do Brasil."
2 - "Nao gosta te muda bombom de alho."
3 - "E ainda por cima olha a ousadia do cara, nao é cientista político, economista ou ao menos sociólogo e quer propor uma solucao pro Brasil."

Eu já respondo:

1 - Eu sou chato mesmo, as vezes nem eu me aguento.
2 - O pior é que eu gosto, nao de bombom de alho, mas do Brasil.
3 - Nao sou mesmo, e na minha própria pesquisa tem horas que eu nao consigo achar solucoes pra problemas bem mais simples, mas assim como a música o blog é meu escape (ver post "Conversa fiada"). Entao puxe a cadeira, encha o copo e sinta-se livre pra argumentar. Bem-vindo ao meu bar.

Basta falar sobre política e alguem sai com uma opiniao pré-formada sobre o que deve ser feito para o Brasil deixar de vez a condicao de terceiro mundo. Uns falam que a educacao tem que ser priorizada, outros que mais empregos tem que ser criados, outros que a infra-estrutura tem que ser melhorada, outros que a corrupcao tem que acabar e etc... A lista é longa e distinta, e cada frente leva a uma possível solucao, mas eu quero me concentrar no aspecto político, pois um país que vai bem economicamente nao necessariamente se traduz em um país justo e civilizado, vide China, Índia e o próprio Brasil por exemplo.

Primeiro definimos o problema e depois juntamos os componentes necessários para atacá-lo. Nesse sentido, a primeira pergunta que se deve fazer é: o que leva uma pessoa (principalmente no Brasil) a seguir a carreira política? Eu diria interesses pessoais claro, basta ler os noticiários. Em outras palavras, melhorar a sua vida e a dos seus. Generalizo sem medo, pois o desvio padrao nesse caso é muito pequeno. Como exemplo, vejamos o nosso estado, o Maranhao, um dos estados mais pobres do Brasil. Qual o estereótipo de um prefeito de interior? Casarao, carros importados, geralmente pick-ups 4x4 (por causa da condicao das estradas) e apartamentos na capital para os filhos que geralmente estudam em universidades particulares. As condicoes da respectiva cidade nao mudam, mas o padrao do prefeito e sua família sim e rápido, basta assumir, o que nunca é justificado já que o salário de um prefeito é geralmente calculado com base na renda do município e portanto nao deve ser muito.

Quando o cuidar do público vira um bom negócio, uma legiao de aproveitadores se estabelece e se prontifica a manter o bom negócio funcionando.

Dessa forma o problema tá bem definido, há um ciclo vicioso de interesses pessoais que faz a máquina pública nao funcionar direito, e eu argumento que o que precisamos é de algo que quebre esse ciclo.

Antes de juntar as pecas para atacar o problema precisamos examinar alguns aspectos da nossa democracia, e como eu já to ficando cansado e hoje é domingo e vai comecar um filme bom agora, eu continuo o raciocínio no próximo post.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Big Brother Brasil 2008

Eu nao sou de abrir emails contendo powerpoints, geralmente apago logo, principalmente se nao tem uma explicacao prévia do que se trata. Mas recebi um recentemente que resolvi abrir, por se tratar de um amigo que nao mandaria nada caso nao valesse a pena ser enviado.

Normalmente eu escreveria sobre o assunto sob minha própria perspectiva, mas já que nao conseguiria colocar as coisas de melhor forma, reproduzo o texto aqui na íntegra.

Só quero deixar claro, que apesar de compartilhar da opiniao geral do autor (anonimo), eu nao chequei algumas das informacoes dadas no texto, já que as mesmas pouco interferem na argumentacao, e portanto nao sei a extensao em que sao verdadeiras.
...

Começa mais um BBB BIG BROTHER BRASIL (2008)

Como funciona o ESQUEMA:
29.000.000 (milhões) de ligações do povo brasileiro votando em algum candidato para ser eliminado. Vamos colocar o preço da ligação a R$ 0,30 (trinta centavos) e só. Então, teremos R$ 8.700.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais, que o povo brasileiro gastou ( e gasta ), em cada paredão!

Suponhamos que a emissora do BBB tenha feito um contrato “50% por 50%”, ou melhor,”meio a meio” com uma operadora de telefonia, ou seja, ela embolsou R$ 4.350.000,00.

Alguém poderia ficar indignado com a emissora e a operadora de telefonia ao saber que as classes menos letradas e abastadas da sociedade, que ganham mal e trabalham o ano inteiro, ajudam a pagar o prêmio do vencedor e, claro, as contas dessas empresas.

Mas o "x" da questão, caro(a) leitor(a), não é esse. É saber que paga-se para obter um entretenimento vazio, que em nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dela desfruta; mostra só a ignorância da população, além da falta de cultura e até vocabulário básico dos participantes e, consequentemente, daqueles que só bebem nessa fonte.

Certa está a emissora. O programa BBB dura cerca de 3 (três) meses, ou seja, o “sábio público” tem ainda várias chances de gastar quanto dinheiro quiser com as votações. Aliás, algo muito natural, para quem gasta mais de R$ 8.000.000,00, repito, *** OITO MILHÕES DE REAIS *** numa só noite! Coisa de país rico como o nosso, claro!

Nem a UNICEF (órgão das Nações Unidas para a infância), quando faz o programa CRIANÇA ESPERANÇA, com um forte apelo social, arrecada tanto dinheiro...Vai ver, deveriam bolar um "BBB Unicef". Mas, tenho dúvidas se daria audiência. Prova disso, é que na Inglaterra, pensou-se em fazer um BBB só com gente inteligente. O projeto morreu na fase inicial, de testes de audiência. Qual o motivo do fracasso? O nível das conversas diárias foi considerado muito alto, ou seja, o público não se interessaria.

Programas como BBB existem no mundo inteiro, mas explodiram em audiência em países de 3º mundo... Um país como o nosso, onde o cidadão vota para eliminar um bobão ou uma bobona qualquer... mas não se lembra em quem votou na última eleição...Que vota numa legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita ser de extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal e, que não perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de PAGAR pelo seu voto...

Que eleitor é esse? Depois, não adianta dizer que político é ladrão, corrupto, safado, etc. Quem os colocou lá? Claro, o mesmo eleitor do BBB! Aí, agüente...
- As absolvições dos Renans Calheiros...
- Os Aumentos dos IOFs...
- As Falências dos Sistemas de Saúde...
- As Epidemias de FEBRE-AMARELA...
- Os 40 Ladrões do Ali Babá...

e de quebra...Trabalhando igual a um BURRO mais de 5 (cinco) meses por ano para sustentar nefastas instituições ABSOLUTAMENTE DESACREDITADAS pela sociedade... enfim, estamos no início de mais uma temporada do BBB, sigla que reflete, como nenhuma outra, a PROSTITUIÇÃO de valores de nossa sociedade. Enquanto isso a grande vilã das comunicações continuará se enchendo de glória e dinheiro com o patrocínio de canalhices ao vivo e a cores de 14 candidatos, a um grande prêmio, vitória pela maior habilidade em agirem como DEVASSOS das relações com o próximo.

Enquanto a sociedade der audiência a esse tipo de patifaria televisiva, a falência da família e dos valores morais e éticos não vão mais retroceder. Estejam certos de uma coisa:Os ILETRADOS e os APRENDIZES, vítimas da falência da cultura, da educação e da família, terão dezenas de horas de puro deleite de como ser falso, mentiroso, infiel, hipócrita, leviano, canalha, com todos os derivativos da falta de ética e imoralidade estando à mostra. Mas o contribuinte não deve ligar mesmo, ele tem condições financeiras de juntar R$ 8 milhões em uma única noite para se divertir (?!?!), ao invés de comprar um livro de literatura, filosofia ou de qualquer entretenimento televisivo relevante para melhorar a sua articulação, a sua autocrítica e a sua consciência...
A emissora; Os autores das músicas: “Egüinha Pocotó” e “O Bonde do Tigrão”, sabem muito bem disso; o Gugú e o Faustão também;

Não é maldade nem desabafo.

“A ignorância é a mãe de todos os males”.

...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Um espelho quebrado nunca mais é o mesmo

Para que um espelho se quebre basta que ele caia uma vez, pelo menos na maioria das vezes. Já tentou reparar um espelho quebrado?! Eu já. Comprei cola especial e pacientemente juntei os cacos um por um com o máximo de paciencia e precisao que pude. Até que o arranjo ficou razoável, mas apesar do meu esforco o espelho nunca voltou a ser o que era. O problema é que o lugar da colagem me incomoda, tanto esteticamente, pois o espelho perdeu o aspecto plano e reto refletindo a sua imperfeicao na minha própria imagem, quanto misticamente, pois a impressao de passagem mística entre dois planos se perdeu com a realidade trazida pela rachadura. Além disso a estrutura do espelho ficou obviamente comprometida, a longo prazo pelo menos.

Com o corre-corre do dia a dia, acabava esquecendo da rachadura, mas nao importa, podia passar o tempo que fosse ela continuava lá e vez por outra voltava a me incomodar. Reparar um espelho nao é fácil. Na antiguidade bastaria forjar as partes da superfície de bronze que servia de espelho e poli-las até a rachadura da colagem desaparecer, mas hoje em dia nao dá para fazer isso devido a composicao do espelho que envolve uma camada de prata, alumínio ou málgama de estanho depositada quimicamente sobre a face posterior de uma lâmina de vidro. Isso significa que quando seu espelho quebra voce tem duas opcoes: ou o conserta e se conforma com o fato de que as "cicatrizes" no espelho nunca vao desaperecer ou compra outro. O problema é quando a única opcao que lhe resta é a primeira, aí se aprende rapidamente que um espelho liso nao tem preco.

O conceito esconde uma licao valiosa que está de acordo com a licao tirada do etorno retorno (ver post "Presos num oito deitado"). Em outras palavras, algumas vezes basta deixar o espelho cair uma vez, e por mais que se arrependa do descuido e se lamente, o espelho já vai estar quebrado.

No meu caso eu comprei um espelho novo. Um espelho liso nao tem preco...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Um BOPE para o Brasil

Eu to cansando de falar mal do Brasil. To comecando a me sentir o Diogo Mainardi falando do Lula. Se o Lula é a anta dele, o Brasil é a minha, mas vou tentar mudar de assunto nos próximos posts.

Ao contrário do post anterior onde nao consegui explicar o meu gostar pelo Brasil, já que a quantidade de coisas negativas excede e muito a quantidade de positivas, eu sei muito bem porque gosto do filme tropa de elite.

"Porque aqui nós nao gostamos de policiais corruptos...", segundo disse o capitao Nascimento.

O diretor do filme disse numa entrevista que na escala de valores dele a tortura é pior que a corrupcao. Ora faca-me o favor. Tortura é pior do que negligenciar saúde e deixar gente morrer em fila de hospital? É pior do que sucatear as escolas e Universidades de forma a nos dar um dos últimos lugares junto com países muito mais pobres no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa)? Pior do que roubar dinheiro de merenda escolar e deixar criancas passarem fome? Pior do que ficar a merce do crime todos os dias porque a policia é sucateada, mau-remunerada e desequipada?

Tinham que criar um BOPE só para políticos e agregados. Posso estar sendo extemo, mas que sonho seria ter uma classe política que tivesse orgulho de parafrasear o capitao Nascimento: "Porque aqui nós nao gostamos de políticos corruptos..." e que estivesse apta e disposta a limpar a qualquer custo as "sementes do mal" da política brasileira.

Como foi bom ver uma instituicao pública brasileira honesta e eficiente mesmo numa obra de ficcao. Como foi bom ver marginal tendo medo da polícia em vez da populacao tendo medo de marginal, que é o que sempre acontece. Os números que temos da guerra contra o crime se igualam ao de qualquer conflito bélico, só os políticos nao percebem. Mas agora vao perceber,
pois a base de dados sobre mortes do Brasil, o DataSUS, do Ministério da Saúde, iniciada em 1979, apontará um número de homicídios acumulado nessas três décadas bem próximo de 1 milhão. Só pra se ter uma idéia a Angola levou 27 anos para atingir essa marca, mas estava oficialmente em guerra civil.

Hoje vou mostrar o filme para o meu grupo de pesquisa, todos europeus, já até sei as reacoes e opinioes. "Esse filme é mesmo baseado em fatos reais?" "É assim mesmo Leandro?" "É amigos, eu apresento a vcs o Brasil." "Impressionante!" "Eu nunca vou morar no Brasil..." "A vida nao vale nada la"

Além disso sei que todos vao desaprovar os métodos do BOPE, nao sao civilizados tenho que concordar e eles moram num continente em sua maioria civilizado, mas o que eles nao sabem e muitos de nós brasileiros nos fazemos de desentendidos é que o Brasil nao é um país civilizado.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Mulher de Malandro

Apesar do Brasil ser o que é sempre me dá um aperto no coracao enorme ter que deixá-lo, em especial minha capital com aspectos de interior. É o conjunto terra, clima e as pessoas que fazem parte dela.

Com a terrível saudade que ia crescendo com a distancia durante a viagem de volta pra Alemanha, pensei em escrever sobre o fato de amar algo que além de nao me corresponder, ainda maltrata. Como de costume dei uma pesquisada na internet pra ver se outrem ja nao tinha tido a mesma idéia que eu, e com um mixto de alegria e frustracao foi justamente esse o caso, ou seja, achei um post de alguem que usou esse mesmo título pra expressar mais ou menos o que eu queria dizer (aqui) .

Apesar disso nao vou me render pois o título é bastante apropriado.

Eu sou alguem que vive à luz da ciencia e preciso de respostas no mínimo bem argumentadas, mas pra certas coisas ainda nao consegui achar bons argumentos e nao adianta dizer que amor pela pátria é o mesmo que amor de mae, que me desculpe o post homonimo mas pra mim isso nao é um bom argumento.

Como entender o meu amor por:

Uma terra injusta e violenta, de classe política estúpida, ignorante, corrupta e incompetente?

Um país que me dá vergonha e embarasso grande parte do tempo?

Uma terra onde 75% da populacao pode ser considerada analfabeta mas onde 84% declaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o ensino público (Pesquisa do ibope)?

Uma terra onde 96% desconhecem o significado do termo holocausto mas 37% repudiam a idéia de ter um vizinho judeu (Pesquisa do ibope)?

Uma terra onde somente 40% da populacao é atendida pela rede de esgotos mas mesmo assim 83% dizem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida (Pesquisa do ibope)?

Essa última define bem o que eu sinto. A gente nao recebe nem o mínimo do aparato público, convive com pessoas grossas ignorantes e sem respeito, vive com medo do crime, mas continua se achando satisfeito, continua gostando, continua sentindo falta e querendo voltar. Eu sou assumidamente mulher de malandro, e o meu malandro é o Brasil. Para os homofóbicos de plantao me refiro ao conceito, se tratando de mulher malandra o sentimento já é o inverso e as respostas e argumentos bem embasados.

Ainda busco respostas. O que eu já sei é que apesar disso, quando (se) eu voltar, vou continuar maldizendo o Brasil em qualquer roda de conversa, me revoltando com as mesmas barbaridades e injusticas e etc... mas vou tá morto feliz com a brisa e o barulho do mar, com as pessoas simples, alegres e hospitaleiras, com a música e comida e com o caos nem sempre simpático das ruas e avenidas.